quarta-feira, 17 de junho de 2009

Por quê?

C. se perguntou a vida toda porque escrevia; D. também pintava não sabia exatamente por que. Ambas foram contemporâneas. Não diria que eram amigas; colegas, ou conhecidas, estes seriam os termos mais adequados.

De vez em quando se encontravam, C. e D., para um chá, um bate-papo, um cigarro compartilhado n'alguma reunião de outros conhecidos em comum. E continuavam a se questionar a respeito do que empurrava a primeira para a escrita, e a segunda para a pintura.

Nunca chegavam a alguma conclusão. Pelo contrário, suas palavras faziam suscitar mais e mais questões, jogando conversa fora horas a fio, encantadas que ficavam com o indefinível, o irrazoável, o inexplicável de suas ações no mundo. C., escritora; D., pintora - como podia isso?

No fundo, escreviam e pintavam como quem fica de papo pro ar sob o sol quente da praia, como quem degusta um chocolate, quem cochila profundo depois de uma feijoada. Não havia utilidade ou finalidade nobre na arte das 2. Elas faziam, simplesmente, sem querer procurar algo em especial. Mas acabavam por achar um tantão de coisas interessantes pelo caminho.

Só pra dizer que neste espaço não há por que. Vou escrever assim como C. e D. viviam - busca de uma jornada interia, coleção de encantamentos provisórios, de experiências memoráveis, de factóides irrisórios... Quero treinar, feito elas, até o tempo deixar de contar...

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